quando nem as forças da natureza ultrapassam as do coração,

A minha boca liberta frases completas, coerentes na mais profunda lógica e apaixonante graças ao lado emotivo, nunca me apercebo desta habilidade em mim assim como tantas outras. São pormenores como este que mexem com o coração e preenchem o corpo de um brilho apocalíptico, capaz de cegar a pessoa tão pessoalmente personificada como "paixão". E nós não queremos que esta última parte aconteça, pois não? Talvez por isto, nunca somos capazes de olhar sem cataratas ou lenços nos olhos para a nossa alma. Qualquer forma de comunicação entre as pessoas desaparece nos tempos que correm e não existe um amor-próprio numa primeira instância para os espíritos que rodeiam a nossa monotonia, as almas nunca tocam nos tecidos como se de peças de roupa se tratassem. Um cheiro a roupa nova, a tratamento impecável invade todas as almas que podem ser consideradas puras, já pensaram nisso? Os raios solares remexem no meu rosto, analisando e despertando-o, com uma delicadeza estonteante. Ao mesmo tempo, pequenas almas tocam na minha. Diferentes tecidos sentem o poder do toque, o tacto nunca foi tão poderoso como nestas alturas, em que ampulheta teima em deitar areia fora (nunca percebi porque é que o tempo é tão musculoso e consegue atingir recordes na maratona). Toda esta activação de um dos sentidos provoca terramotos, maremotos se for preciso caso as emoções dancem um samba nos meus olhos castanhos. Basta o simples toque da alma amada para provocar o maremoto e inundar todos os outros órgãos. Nunca desastres naturais (e humanos) foram tão celebrados pela alma, catástrofes dentro do nosso corpo comemoradas com garrafas de champanhe ou simples sorrisos e gargalhadas confiadas a terceiros.
A inundação foi provocada por simples frases, valores que podemos defender com todas as garras e arranhar os seres humanos para sentirem a nossa presença. É mais do que cabelos que podem significar liberdade ou lábios pintados que trazem elegância a um corpo humano, trata-se de conversas entre almas. Nem que seja um "como está?" e de seguida "bem, obrigado" recheado de pureza. Simples palavras trazem brilho e novas palavras que os ouvidos humanos não são capazes de captar. Quando uma frase é libertada pela boca, já a alma teceu mil e quinhentas. E o companheirismo vem ao de cima, uma segunda alma apaixona-se profunda, racional, apaixonadamente. As minhas mãos com unhas roídas dos nervos desejam, neste momento, agarrar as tuas. E agora falo em primeira pessoa, todos sabem que o que escrevo é na sua maioria pessoal e proveniente das minhas vivências. Deixo que a tua água limpe a minha alma, bem aos poucos. Contactámos com tanta podridão de espíritos alheios, deixámos derreter tantas essências que é necessário que a areia do Cronos nos envolva e faça a sua magia. Terramotos acontecem a toda a hora, provocando desastres em toda a construção humana mas já experimentaram em contar o número de tremores (de Terra) que o nosso corpo pode ter? Os órgãos devem estar mais do que desfeitos ou reconstituídos graças aos dois lados da moeda. Nunca os terramotos foram tão positivos para a minha alma, nos últimos tempos. Os meus braços não se mexem desesperadamente com a sensação de maremoto, o amor é o conteúdo mais aconchegante do planeta e o corpo coberto de cicatrizes sente-se saudável (mesmo tendo sofrido diversas doenças).
As forças da natureza continuam a querer provar a sua força mais continuo convicto de que a força do coração é bem mais forte. E trata-se mais do que um simples bombear de sangue para todo o corpo, envolve muito mais. E é isso que vou descobrir.
Nunca fui tão feliz em toda a minha vida, acreditem.
Sem comentários:
Enviar um comentário